‘Chefs na Feira’ oferece degustação de comidas feitas com orgânicos, no Jardim Botânico

Feira JB - Berg [3]
Foto de Berg Silva

Além da atividade, foi dia de oficina para os fotógrafos do workshop Olhar Saudável. Confira como foi o evento do último sábado, dia 21/04

A feira orgânica do Jardim Botânico teve uma manhã diferente no dia 21 de abril, último sábado. Ao som do Trio Rapina, que embalou os feirantes e consumidores com sambas e músicas da MPB, os chefs Ciça Roxo e Joca Mesquita propuseram ao público uma degustação de pratos elaborados com produtos da feira. Joca, ao lado de Lulu Graciosa, preparou uma polenta com ragu de legumes. Já a Ciça, em parceria com Rô Gouvea, cozinhou um arroz com frutos do mato. Os pratos ficaram  bacanas e saborosos.

As degustações  foram distribuídas para os consumidores e feirantes. Toda a atividade foi atentamente capturada pelos fotógrafos do workshop Olhar Saudável, ao lado do fotojornalista e mestre Berg Silva. Vale lembrar que os registros estarão documentados no livro, homônimo ao projeto, previsto para ser lançado em outubro.

 

 

Localizada bem na Avenida Borges de Medeiros, na lateral da Paróquia São José da Lagoa, a feira simpática e convidativa acontece todos os sábados, das 7h às 13h, com 37 bancas, que vendem de tapioca a doces orgânicos. De acordo com João Vitor Santos, que coordena o espaço, a feira, que integra o Circuito Carioca de Feiras Orgânicas, foi criada em 2012 e até se consolidar enfrentou muitos desafios, por ter sido implantada no início da introdução da cultura dos orgânicos na cidade. João frisa a importância da parceria realizada com os Ecochefs, do Instituto Maniva, com a Igreja, entre outros, que ajudaram nessa trajetória e no fortalecimento dos feirantes e produtores.

Quando perguntado sobre o controle da qualidade e seriedade dos produtos, o coordenador explica o passo a passo do trabalho. “O Sistema Participativo de Garantia, SPG, da ABIO, conta com mais de 500 produtores. A certificação é baseada em grupos, nós temos 43 grupos de SPG no Rio, Petrópolis, Friburgo. Eles se fiscalizam, por meio de um facilitador, disponibilizado para cada grupo, que é o técnico que irá averiguar a produção. Quando o produtor chega ao circuito, ele traz o certificado de produção e o romaneio, um formulário que rastreia os produtos que serão comercializados. Por exemplo, se ele trouxe banana para a venda, no romaneio deve estar especificado a quantidade da produção, para podermos verificar se ele realmente está produzindo aquele alimento.”  

Cristina Ribeiro, coordenadora executiva da ABIO, vai além e explica como surgiu o Circuito Carioca de Feiras Orgânicas. Segundo Cristina, o circuito nasceu após a realização de um seminário, com a finalidade de encontrar soluções para que os agricultores pudessem comercializar os seus produtos.

“A ABIO coordena 13 feiras atualmente, sendo que 11 feiras pertencem ao circuito. Ele é formado por outras feiras além dessas, que são coordenadas pela associação. Entre os anos de 1995 e 2010 existia apenas uma feira orgânica na cidade, que é a Feira da Glória. Os agricultores, em 2007, estavam vivendo uma crise terrível porque não tinham como escoar os seus produtos, então, nós fizemos um seminário interno, na ABIO, e chegamos a conclusão de que teríamos que voltar às origens, por meio da venda direta nas feiras. A associação nasceu de uma feira, lá em Friburgo. Foram três anos para implementar as feiras e quem acolheu a nossa iniciativa foi a SMDEI. Nas feiras que a gente coordena, o nosso papel é apoiar a organização dos agricultores para que eles cheguem aos pontos de venda, organizados em grupos de comercialização, ou individualmente, e garantir a qualidade orgânica dos produtos comercializados aqui. Isso que o projeto Olhar Saudável está fazendo, hoje, é parte essencial da feira, porque ela não é pra ser um lugar de compra e venda somente, é para ser um lugar de educação, de formação do consumidor e do agricultor, essa aproximação é que é importante.” Comenta Cristina.

Entre os participantes da Feira Orgânica do Jardim Botânico, estão os integrantes do grupo Brejal, como o produtor Geraldo Pimentel, do sítio Santa Rosa de Lima, e as feirantes do sítio Bela Vista, Juliana Maximino e Vanessa Oliveira. Também participam as vendedoras Érica Coelho e Rosângela da Silva, da Cultivar, a fábrica de produtos orgânicos de Jucinei Batista. A vendedora de doces orgânicos, Páscoa Cordeiro, que possui sítio em Petrópolis e tem um passado muito rico na agricultura orgânica.  

Feira JB - Berg [2]
Foto de Berg Silva

Larissa Marques, que atua na barraca Quitanda Natural vendendo os legumes, verduras e frutas do sítio Dom Bosco, em Silva Jardim. Também há uma surpresa interessante nesta feira, que é a vendedora Nicole Doerzza, do sítio Quaresmeiras, de Duas Barras. Nicole é uma mulher sorridente, alta, que ao falar, mesmo com o domínio do português, nota-se um sotaque que evidencia a sua ancestralidade alemã.

A vendedora é americana, filha de alemães, e segue trabalhando na área de venda de produtos orgânicos. O seu marido, Marc Ferrez Weinberg, é sueco-brasileiro, agrônomo e atua na produção. Eles se conheceram em uma tribo indígena, no Equador. Vivendo há 22 anos no Brasil, Nicole afirma que agora, oficialmente, ela passou mais tempo fora do país de origem, do que dentro dele.

“Nós temos pomares de diversas frutas como goiaba, figo, banana, pêssego e laranja. Com elas, desenvolvemos vários doces, temos doces de corte com figo, a goiabada, pêssegos em calda, frutas desidratadas, biscoitos. Uma vez eu contei os produtos e 14 deles levam goiabada. Temos 22 anos nessa estrada e agora que achamos o nosso cantinho, o ponto mais difícil para nós é a venda, da roça para o mercado é uma longa estrada, não só fisicamente, como também achar alguém que queira o seu produto.” Revela Nicole.

O evento contou com as presenças do Subsecretário de Desenvolvimento da SMDEI, Epitácio Brunet, e do idealizador do Projeto Maravilhas Gastronômicas do Estado do Rio de Janeiro, Chico Junior; além de ter sido apoiado pela Paróquia São José da Lagoa, que ofereceu infraestrutura para a realização da atividade e pela empresa Qualifest, que ofereceu os pratos, bowls e talheres agroecológicos de bagaço de cana e amido de milho.

 

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