Por dentro da ABIO: Cristina Ribeiro integra o grupo fundador da associação que atua em prol dos produtores orgânicos no Rio

Cristina Ribeiro
Cristina Ribeiro – Coordenadora executiva da ABIO / Foto de Amanda Anjos – Olhar Saudável

A coordenadora executiva comenta sobre a sua atuação e ressalta as principais ações da ABIO no fortalecimento da agricultura orgânica do estado

Narrar sobre a história profissional de Cristina Ribeiro é também contar um pouco sobre a trajetória da Associação de Agricultores Biológicos do Estado do Rio de Janeiro (ABIO). Em diversos momentos os dois caminhos se fundem. O ponto de partida de Cristina, na ABIO,  ocorre após a conclusão do seu período acadêmico na cidade do Rio.

Início da trajetória

Ao terminar o mestrado em Antropologia, pelo Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a atual coordenadora executiva da associação migrou para o interior do estado, com a proposta de mudar o seu estilo de vida. Com a família, optou por viver do campo, na cidade de Sumidouro.

“Logo que terminei o mestrado resolvemos, meu companheiro e eu, morar no campo e tentar viver da agricultura, porque queríamos criar nossos filhos em contato com a natureza e, principalmente, produzir nosso próprio alimento. Ele seguiu na profissão de professor universitário, e eu passei a me dedicar totalmente ao nosso sítio em Sumidouro.” Conta Cristina.

A ABIO foi fundada durante este período, em 1984, enquanto administrava o seu sítio. A iniciativa para a criação da associação foi idealizada por pequenos agricultores, entre eles Cristina, com o apoio de técnicos e ativistas, para viabilizar a produção orgânica no estado, por meio da organização, certificação – que garante qualidade do trabalho e dos alimentos, e, posteriormente, a implementação de feiras na capital fluminense.

“Toda a minha vida profissional aconteceu dentro da ABIO ou muito próxima a ela, às vezes como voluntária, às vezes de forma remunerada. A própria ABIO me abriu caminhos para algumas consultorias em agricultura orgânica, não no seu aspecto agronômico, mas no seus aspectos econômicos e sociais, inclusive a certificação.” Revela a profissional.

Atuação como coordenadora executiva

Como coordenadora executiva, a função de Cristina é integrar as áreas fim (Técnica e de Comercialização) e as áreas meio (Administração e Comunicação) da ABIO, para que as decisões tomadas pela Assembleia Geral e pelo Conselho de Administração possam ser implementadas. Ou seja, a atuação é realizada juntamente com as Coordenações de Área, no nível executivo, subsidiando os níveis decisórios e apoiando a diretoria, de modo a que as demandas dos associados sejam atendidas, de acordo com as estratégias definidas coletivamente.

Agricultura orgânica

De acordo com a coordenadora, a agricultura orgânica que a associação defende é a agricultura orgânica de base agroecológica. A agroecologia, além de um conjunto de conhecimentos técnico-agronômicos, é também um modo de produzir com características próprias, em termos de escala e organização da produção, relações com os mercados, relações de trabalho. Não se trata de um pacote pré-definido ou de uma visão homogênea, mas, certamente, a agroecologia passa pela agricultura familiar, pelo modo camponês de produzir, pelas relações diretas entre agricultores e consumidores, pelos mercados locais, pela economia solidária.

Para ela, não se trata apenas de produzir uma mercadoria demandada pelo mercado e de buscar lucro. A sustentabilidade econômica é necessária e a justa remuneração do trabalho dos agricultores é um dos pilares da agricultura orgânica de base agroecológica.

“Acredito que isso somente será possível se a agroecologia for capaz de transformar a agricultura não só do ponto de vista tecnológico, mas, também, do ponto de vista das relações sociais. As feiras são a melhor expressão de tudo isso. Elas são um espaço de troca real entre agricultores e consumidores, e de controle social dos consumidores sobre a coerência da ABIO em relação aos princípios agroecológicos.” Explica Cristina.

Olhar Saudável

Apesar de não ter acompanhado o Olhar Saudável de forma sistemática, a profissional afirma que ficou impressionada com o que viu na Feira Orgânica do Jardim Botânico – o evento Chefs Na Feira, realizado pelo projeto em abril. “O registro desses encontros entre feirantes que produzem alimentos e aqueles que transformam esses alimentos para consumo próprio, ou para oferecer aos outros, transforma a percepção dos agricultores sobre o papel que eles desempenham na vida das pessoas e da sociedade.”

Ela acredita que a ação do Olhar Saudável expressa o valor dos agricultores e dos consumidores como corresponsáveis pela qualidade dos alimentos como fator principal da saúde humana: os agricultores porque tiveram a coragem de transformar o seu modo de produzir, e os consumidores porque conscientemente escolhem o produto orgânico e assim contribuem para o fortalecimento e a expansão da agricultura orgânica.

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