Festival Mercado das Tulhas: confira a experiência de Ciça Roxo no evento maranhense

Ciça Roxo
Chef Ciça Roxo / Arquivo pessoal de Ciça Roxo

A chef destaca a articulação dos profissionais da gastronomia em prol das produções locais como o ponto alto do festival

Entre os dias 28 e 30 de agosto, foi realizado o Festival Mercado das Tulhas – um grande evento gastronômico que ocupou diversos pontos do Centro Histórico de São Luís, entre eles, o Mercado da Praia Grande, antiga Casa das Tulhas. A região reúne bares, restaurantes e lojas de produtos locais, além de ser um importante ponto de encontro para manifestações culturais.

Idealizado por Junior Ayoub, presidente da Associação Maranhense de Artesãos Culinários (AMAC), a iniciativa obteve o apoio da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), do Instituto Federal do Maranhão (IFMA), da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) e teve a finalidade de impulsionar a gastronomia, a produção, o turismo e a cultura do Maranhão.

Para isso, a AMAC convidou chefs renomados de diversos lugares do Brasil, entre eles estavam Ciça Roxo, uma das idealizadoras do Olhar Saudável; Ro Gouvêa, parceira amiga do Olhar Saudável; Flavia Quaresma, integrante do grupo EcoChefs, do Instituto Maniva; e Guga Rocha, que faz parte da nova geração de chefs brasileiros. Professores, pesquisadores e músicos também participaram do evento.

“A união entre os chefs do Maranhão e o que eles conseguiram, junto aos órgãos públicos, fundações e instituições, foi um dos pontos altos deste evento, que entusiasmou tudo ao redor, o turismo, a cidade, os empresários, os pequenos produtores, o público e etc.” Comenta Ciça Roxo.

Segundo a chef, os profissionais convidados para o festival elaboraram receitas com produtos típicos do Maranhão, entre palestras e rodas de conversas. Ciça levou uma receita bem carioca – o famoso camarão com chuchu – e acrescentou em sua salada a vinagreira, planta característica da flora do estado nordestino, durante seu bate-papo, ao lado do chef Rafael Libério, sobre o filme ‘A 100 passos de um sonho’. Já a chef consultora Ro Gouvêa foi além da gastronomia e abordou o tema associativismo e inovação em turismo, durante sua apresentação para empresários e alunos de turismo da Universidade Federal do Maranhão (UFMA).

“Minha leitura sobre o filme ‘A 100 passos de um sonho’ foi realizada no Grand Hotel, no dia 30 de agosto, fiz uma roda de conversa, ao lado do Rafael. O filme fala de um cozinheiro indiano que tem muita paixão por cozinhar, no entanto, estava em outro país, na França, e mesmo com desafios, nada parava ele, pois enxergava tudo com olhos curiosos. Com base nesse casamento entre a cultura do personagem e a francesa, eu desenvolvi a minha receita, cuja base é carioca e introduzi a vinagreira, muito utilizada em São Luís, no arroz de cuxá. Ou seja, era um casamento do que eu sabia com o estrangeiro – que para minha novidade era o produto local da capital maranhense.” Explica Ciça.

Ciça Roxo e Rafael Libério
Chefs Rafael Libério e Ciça Roxo / Arquivo pessoal de Ciça Roxo

Após o festival, a chef visitou os lençóis maranhenses ao lado de outros colegas da área. Durante o passeio, ela conheceu a Fábrica Guaaja, onde é produzida a tiquira, uma bebida alcoólica feita da mandioca e muito conhecida pela população maranhense, algumas dunas onde estão os postos de pescas, os porcos piau, que são de cor preta e de origem ibérica, eles se alimentam de mariscos, durante a maré baixa e a carne é um diferencial.

“Entre nós tinha uma bióloga especializada em PANCs, a Mahedy Passos, que enriqueceu muito a nossa visita. Essa diversidade de pessoas atuando juntas: cozinheiros, sommeliers, biólogos – é o começo de um trabalho, de uma sensibilização, do Brasil pelo Brasil.” Afirma a chef.

Ainda de acordo com Ciça, o evento com os profissionais da gastronomia deu tão certo que mesmo após o festival, todos ainda trocam experiências e se motivam a realizar ações que impulsionem a gastronomia e produção dos seus estados. Para ela, essa articulação resultará, daqui a alguns anos, em uma valorização da cultura local mais estruturada.

“Eu trabalho no Instituto Maniva desde 2006, que vem trilhando um caminho com os EcoChefs. Há projetos, no Rio, de valorização da gastronomia e do produtor, como o A.Ch.A, que eu acho que deu um passo a frente. Em outros lugares do país também estão se formando grupos de chefs, como a AMAC, no Maranhão, Enchefs, em Roraima, então isso é muito bom. Esses são os saldos positivos que eu vejo.” Encerra Ciça Roxo.

 

 

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